Depois da farra, as cinzas
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- Categoria: Reflexões
Se foi mais um Carnaval nas terras tupiniquins. Depois da farra, o que resta são as cinzas. Não as da "quarta-feira", mas as das almas dos foliões. E também da alma da nação brasileira. Charles de Gaulle, estadista francês na época da Segunda Grande Guerra, já tinha dito que o Brasil não era um país sério. Dá para se duvidar dessa afirmação quando vemos toda uma nação parar por vários dias para festejar uma festa que traz mais dividendos do lucros? Para muitos brasileiros o ano começa agora, só depois do Carnaval, às portas já do terceiro mês. Uma vergonha!
Mas aí todo mundo vai dizer: "É só uma festa popular quase centenária! Deixa o nosso povo sofrido se alegrar!". Parece que esse pensamento é praticamente unânime. Se Nelson Rodrigues disse alguma coisa que presta foi: "Toda unanimidade é burra". Se toda unanimidade é burra, permitam-me então nadar contra a maré. A verdadeira face do Carnaval deve nos levar a uma profunda reflexão acerca das cinzas em que deixa o nosso país. Tudo de ruim piora nessa época do ano. Desde o aumento dos acidentes fatais de trânsito até a ploriferação das doenças sexualmente transmissíveis.
Vivemos dias de verdadeira Sodoma e Gomorra. O Carnaval não é somente sinônimo de cultura e entretenimento. É também sinônimo de prostituição, orgias e bebedeiras. Mas falar sobre isso hoje em dia é "pecado". Está fora de moda. É pecado criticar o pecado. Principalmente para a nossa imprensa, traumatizada pelos vinte anos de censura imposta pela ditadura militar, que confunde "liberdade de expressão" com libertinagem. Em troca de milhares de reais do mercado publicitário todas as emissoras estão dispostas a vender sua alma para o diabo para colocarem na TV todo lixo de programação (inclusive a TV do "bispo", emissora sem identidade, clone de sua maior rival). Para elas, às favas a família, a cultura e o respeito pelo ser humano.
O Carnaval é uma falácia. Uma máscara. É uma mentira que satisfaz somente aos cegos que não querem enxergar a realidade que se esconde por detrás de sua máscara. É a máscara da classe política corrupta que durante dias é esquecida pela população muito ocupada com confeites e serpentinas. Será que os foliões sabem que, por incrível que pareça, justiça está sendo feita em Brasília com a primeira prisão de um governador corrupto no Brasil? O Carnaval é a máscara onde se esconde o pobre trabalhador brasileiro que tira dinheiro da boca dos filhos para comprar sua fantasia. É a máscara pela qual dinheiro sujo é lavado nos sambódramos da vida. É a máscara das prefeituras que injetam milhares de reais nas escolas de samba, dinheiro que poderia ser usado na educação, saúde, moradia e na própria cultura, mas não na cultura que promove a desintegração de valores morais e familiares.
Não me iludo. Essas palavras são apenas uma voz que clama no deserto. Até a volta do Senhor, o Carnaval continuará fazendo parte da agenda da nossa querida nação. E pelo que nos revelam as Escrituras o pecado aumentará cada vez mais no coração dos homens. Mas escrevo na esperança de que estas palavras possam atingir o coração de pessoas dispostas a encontrar a verdadeira alegria de viver. Alegria que nenhuma festa popular ou prazer da carne pode proporcionar.
Após quatro dias de folia, muitos, com certeza, estão nas cinzas. Estão nas cinzas porque percebem que toda alegria carnavalesca é efêmera e passageira. É para estes que escrevo, na esperança de abrirem seus olhos para a fonte da verdadeira alegria: o Senhor e Salvador Jesus Cristo. Somente Ele pode nos dar a paz e a alegria de viver tão ansiada pela nossa alma. Viver com Cristo é viver sem máscaras. É desfrutrar da vida genuinamente abundante que somente Ele pode nos dar.
Jesus está voltando para buscar aqueles que o amam e o obedecem, e trazer juízo e condenação para aqueles que rejeitam seu amor e sua vontade. Ele prometeu, Ele cumprirá! A Ele seja a glória para sempre!

