Sereis Minhas Testemunhas
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"Recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia, e Samaria e até aos confins da terra” (At. 1.8).
Ser testemunha de Cristo ou dar testemunho de Cristo: qual a maior exigência bíblica? Em Suas últimas palavras, pouco antes de ser elevado ao trono de sua glória, Jesus falou aos discípulos que eles seriam cheios do Espírito Santo. Essa experiência lhes daria poder para que pudessem ser Suas testemunhas, desde Jerusalém até aos confins da terra. Cresci ouvindo esta mensagem pela metade, porque o texto era usado apenas para mostrar a possibilidade de sermos batizados com o Espírito Santo e a necessidade que tínhamos deste poder, sem contudo definir sua finalidade. Ao falar sobre o poder que receberiam, Jesus não está querendo enfatizar o poder em si, mas sim a necessidade deste poder para que os discípulos pudessem cumprir cabalmente esta tarefa intransferível. Relendo agora o texto sob a ótica da grande comissão, vemos o quanto a promessa do poder está relacionada com o ato de SER TESTEMUNHA DE CRISTO. Não parece haver sentido algum em alguém receber uma capacitação especial sem uma necessidade real ou sem uma finalidade específica. Frequentemente confundimos a responsabilidade de ser testemunha com a atividade agradável de contar para uma comunidade receptiva e carente as vitórias alcançadas. Certamente que ao fazer tal declaração, Jesus não estava pensando em estimular os discípulos a contarem uns para os outros, em santa competição, todas as bênçãos recebidas. Eles precisavam de poder porque a atividade de ser testemunha é muito perigosa e oferece muitos riscos àqueles que desejam cumprir o mandamento. Inicialmente o conceito de ser testemunha tinha, tanto no grego como no hebraico, apenas o sentido de alguém que conta o que viu de forma que aquilo possa servir como evidencia ou prova de um fato em juízo. Entretanto, devido ao fato do testemunho cristão ao longo do tempo ter resultado na maioria das vezes em prisões e açoites (Mt 10.18; Mc 13.9), exílio ou morte (At 22.20; Ap 1.9; 2.13; 17.6), a palavra começou a ter o sentido de mártir. Assim, testemunha passou a representar aquela pessoa que prefere sofrer ou morrer a negar sua fé. Ser testemunha de Cristo é estar comprometido tanto com a santidade e soberania de Deus manifestada nas Escrituras (Isaías 43) como também na identificação do discípulo de Cristo no seu sacrifício, morte e ressurreição (Lc 24.48). Hoje não há mais espaço para aqueles que seguem a Jesus pensando apenas nos benefícios pessoais. Alguns seguem a Jesus como se esse gesto significasse que estavam prestigiando Seu ministério enquanto que Ele, em troca disso, deveria prestar-lhes favores especiais, como curas e prosperidade financeira. Aos seguidores interesseiros descritos em João 6, Jesus disse: “quem não comer a minha carne e não beber o meu sangue não terá a vida eterna (Jo 6.53,54), mostrando o nível de relacionamento esperado. E eles foram embora porque não interessava um relacionamento profundo, um compromisso real. Raramente pensamos nos perigos que demandam a atitude de testemunhar, mas é bom pensar. Ao aceitarem o chamado para segui-Lo os discípulos foram automaticamente colocados numa área de risco e muitos deles pagaram com a vida o preço de ser testemunha. Precisamos hoje recuperar esse tipo de cristianismo. Diferentemente de hoje, os cristãos primitivos quando se reuniam para orar, o faziam na busca de poder e ousadia para falarem sem medo a respeito de Jesus (At 4.23-31). Buscavam coragem para dar a vida com um senso de dever cumprido. Podemos ver Estevão sendo apedrejado, Pedro, Paulo, João, Tiago, sendo presos, açoitados, morrendo por causa do nome de Jesus, mas nunca os ouvimos pedir a Deus que os livrasse dos perigos. Muitos cristãos modernos consideram apenas os benefícios superficiais de seguir a Jesus. Os testemunhos apresentados nos cultos relatam apenas as situações vitoriosas como uma cura, uma bençao financeira ou a possibilidade de fazer algo que produza satisfação pessoal para a pessoa que fala, enquanto que os primeiros cristãos consideravam bênção a possibilidade de pregar, não importando a circunstancia. Para definir claramente o sentido de ser testemunha, devemos fazer uma junção entre significado e conseqüência. Ser testemunha é o ato de transmitir a homens e mulheres a verdade sobre a pessoa e obra de Jesus Cristo, a condição do homem e uma chamada ao arrependimento, mesmo que isso possa atrair perseguição e até morte. A definição parece drástica? Não o é! Assim como no passado, hoje também encontramos aqueles que são perseguidos e até martirizados por causa do nome de Jesus. Vivemos tempos difíceis. Não apenas estamos contemplando o progresso dos “sem religião”. Assistimos, praticamente sem reação a banalização da fé, o aumento do sincretismo religioso, e olhamos com indiferença o sofrimento de nossos irmãos que sofrem perseguição religiosa, dando graças a Deus por não sermos nós a estarmos na pele deles. Irmãos, a perseguição religiosa cada vez mais forte. Algumas vezes ela surge de forma sutil como a cena apresentada “inocentemente” na novela das 8 da TV Globo, apresentando os crentes como fanáticos, inconseqüentes e ignorantes, e aqueles que levam uma vida totalmente desvinculada do ensino bíblico, como sendo as pessoas sensatas e corretas da sociedade, numa defesa clara da lei da homofobia. Aparte dessa perseguição branca, avalizadas por leis governamentais que causam limitações sem fim à pregação do evangelho em todas as partes do mundo, ainda têm os problemas das agressões violentas. Enquanto escrevia este artigo, na sexta-feira santa, recebi uma carta de um de nossos missionários, pedindo oração por que houvera um atentado à bomba contra a residência de um líder da comunidade cristã naquele país, e um jovem, de 15 anos, estava entre a vida e a morte na UTI. E nós, o que faremos com isso? Deixaremos de pregar em Israel, na Tunísia, no Japão, na Espanha, em Portugal apenas porque estes países colocam obstáculos para a pregação do evangelho da vida? Neste tempo de pós modernidade, onde todos pensam em resultados, enviar missionários para países de grande dificuldade para a pregação do evangelho muitas vezes parece um contra-senso. O desafio da evangelização mundial continua. Não importam os obstáculos, devemos cumprir a grande comissão. Precisamos pois clamar a Jesus por um derramamento de poder a fim de estarmos realmente capacitados para fazer aquilo que deve ser feito, segundo o mandamento de Jesus. É tempo de deixar de lado a pregação triunfalista que diz: “você é vencedor”, não como a declaração de uma verdade, mas simplesmente como estímulo a elevar a auto estima de pessoas com sentimento de inferioridade. Ser vencedor não é viver sem problemas e sem medos. Ser vencedor é alcançar a salvação. Ser vencedor não é vencer seus medos, suas lutas terrenas, seus obstáculos para alcançar o sucesso. Ser vencedor em termos bíblicos é derrotar o diabo e o pecado e alcançar a salvação em Cristo Jesus. Ser vencedor é não cair em tentação. Nós não estamos numa luta a favor de nós mesmos e contra os problemas normais que passam todos os homens. Nossa luta é a favor do evangelho e contra satanás, o qual anda ao nosso redor, bramando como um leão, procurando a quem possa tragar. Satanás nos acusa diante de Deus dia e noite querendo a nossa destruição (ap 12.10), mas ele não poderá nos derrotar porque maior é aquele que é por nós do que aquele que é contra nós. Apocalipse 12.11 nos mostra o tríplice segredo da vitória do cristão nesta terrível batalha contra satanás. Diz assim o texto: eles o venceram PELO SANGUE do cordeiro, pela PALAVRA DO TESTEMUNHO que deram e porque, mesmo em face da morte, não amaram as suas próprias vidas.
SEJAMOS TESTEMUNHAS!

