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Pastoreando os que pastoreiam PDF Imprimir E-mail
Escrito por Jackson Jean Silva   
Qua, 03 de Dezembro de 2008 13:20

A temática “Pastoreio de Pastores” e ou “Mentoria”, está em alta em nossos dias. O que se constata aqui é o fato de que aqueles que são chamados a cuidar de vidas não estão sendo cuidados! Isso tem chamado a atenção para um outro fato muito importante, pastores e pastoras, são seres humanos também, passiveis de stress, fadigas, decepções das mais diversas, dúvidas, dores, problemas financeiros, familiares e eclesiásticos. Questões que se tornariam muito mais simples de se enfrentar e resolver se pudessem ser compartilhadas, se houvesse alguém para dividir o fardo, opinar ou mesmo, em muitos casos, apenas ouvir.

“ Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho.  Pois se caírem, um levantará o seu companheiro; mas ai do que estiver só, pois, caindo, não haverá outro que o levante. Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só como se aquentará? E, se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; e o cordão de três dobras não se quebra tão depressa.” (Ec. 04: 09-12) e (Pv. 17:17; 27:09-10).

Várias denominações e entidades para-eclesiásticas estão buscando uma reflexão desse tema em busca de possíveis soluções. Alguns fatores certamente têm corroborado para a instalação desse mau em nosso meio, que fatalmente decorre em: solidão, desconfiança, angustias, decepções, esgotamentos, problemas de saúde tanto de  ordem física, como emocional e podendo, inclusive, chegar ao espiritual, acarretando em muitos casos no abandono do ministério pastoral, seguido de frustrações e traumas.

Observando a questão podemos elencar aqui alguns dos vário motivos para essa amarga realidade:

01.            O aumento indiscriminado de novas denominações (ministérios) com “novidades” doutrinárias-teológicas, conseqüentemente causando dúvidas, confusões, decepções e decorrentes frustrações;

02.            O alto índice de competitividade ministerial entre os pastores(as), mesmo os de uma mesma denominação, acarretando em um elevado nível de desconfiança entre os colegas e um inevitável distanciamento dos mesmos;

03.            A falsa impressão e conceito de que pastores são seres “extra-terrenos”, não humanos e desprovidos de necessidades básicas como: amizade, conselhos, desabafos, consolo, férias, lazer, descanso, família e Paz também, porque não!

04.            O distanciamento maligno entre os mais jovens e os mais velhos, quebrando um importante e vital vinculo que o Senhor sabiamente estabeleceu, fazendo com que o velho tenha pré-conceito do novo e o novo também do velho. Um é jovem de mais “inexperiente e tolo” e o outro é velho de mais “ultrapassado e antigo”. Assim, a força de um não coopera com a experiência do outro. Que triste armadilha!

05.            Em outros casos, o que impera mesmo, é a arrogância, o altivismo, o exclusivismo, o individualismo e a auto-suficiência. Estranho para quem não deveria mais viver na carne e, sim, no espírito, inclusive com a responsabilidade de ensinar isso a outros, sobre tudo pelo testemunho de vida diária!

06.            A “Falta de tempo”, tem sido outro problema para a aproximação e relacionamentos entre colegas de ministério. Não temos tempo de procurar um irmão, somente para passarmos um tempo com ele(a), podermos falar e podermos ouvir também. Sigilo pastoral mesmo nas conversas entre pastores(as) ajudaria bastante nesses casos!

 

Se esses seis pontos explicitados acima tem se constituído em causas para esse problema, logo, a solução é justamente o contrário deles, conforme se segue:

Um retorno imediato para a Palavra de Deus como única regra de Fé e prática. Um melhor conhecimento de sua denominação, de modo tal que construa uma identidade denominacional forte, livre de “encantamentos” modistas e passageiros. Assim, livres das decepções e frustrações decorrentes do tempo perdido e de todo esforço empreendido por nada;

  • Não considerar o ministério pela ótica humana e empresarial do mundo, buscando sim, uma convicção de Deus para a obra que Ele tem depositado em nossas mãos e, ainda, não vermos nossos colegas como concorrentes e adversários e, sim, companheiros imbuídos da mesma missão, trabalhando para o mesmo Reino e para o mesmo Senhor. Cooperadores uns dos outros!
  • Termos uma clara visão de nós mesmos, não nos deixando contaminar e nem nos embriagar com o vinho da presunção, imaginando infantilmente que somos “Super Hérois”, pois, não somos! Encarar com coragem e sobriedade que somos Homens e Mulheres, chamados por Deus, para sermos cheios de seu Espírito, o que não anula nossa humanidade e fragilidades;
  • Uma quebra urgente de paradigmas malignos em nosso meio. O estreitamento da convivência, da amizade, do respeito mutuo, da cooperação mutua, do compartilhar mutuo, da valorização mutua dos dons, talentos, experiências, sonhos e capacidades entre velhos e jovens. Um retorno ao projeto original de Deus, respeitando sua infinita sabedoria! Quem dará o primeiro passo?
  • Chegar a conclusão o quanto antes que não estamos construindo nado nosso, para nossa “glória”, para nosso ego. Não cabe no exercício do santo ministério a arrogâncias, as presunções, os individualismos, os egocentrismos e muito menos egoísmo. Não somos donos da verdade, não temos uma “revelação inédita”, não somos auto-suficientes, ao contrário, precisamos, e muito, uns dos outros. Auto-suficiência é medo e um forte sinal de fraqueza, os fracos precisam provar! Essas coisas são  incompatíveis com os valores do Reino de Deus;
  • É preciso aprender a disciplina em várias áreas de nossas vidas, inclusive, no que diz respeito ao tempo “Cronos”. Precisamos aprender a dominá-lo e não sermos escravos dele! Precisamos aprender a ordenar prioridades, agendar e cumprir agendas, separando tempo para Deus, para nós mesmos, para a família e para os amigos também, sob pena de sucumbirmos e, então, haverá sempre outro, para prontamente nos substituir!

 

Para nós Batistas, com possuímos um sistema de governo congregacional, o melhor que podemos fazer nessa questão, creio que seja o mais difícil, porém, bíblico, buscarmos estabelecer amizades sinceras entre nós pastores e pastoras, capazes de resistir ao tempo, aos interesses particulares, às provocações e armadilhas do dia-a-dia de nossas vidas e ministérios.

Precisamos, como cristãos, perdoar, pedir perdão, receber e procurar o outro, ouvir e falar, apagar o passado, abrir mão de magoas e rancores, confiar e ser confiável, aceitar ser amado e amar também. Precisamos ser livres e libertos! Somos pastores, amém, porém, precisamos também  ser pastoreados. Eu preciso ser pastoreado! Somos chamados a cuidar dos outros, precisamos ser cuidados! Eu preciso ser cuidado! Porque não nos aproximarmos, estabelecendo e fortalecendo nossos laços de amizade e respeito? Porque não assim nos ajudarmos mutuamente, pastoreando-nos uns aos outros? Seria isso possível?

 

Pr Jackson Jean Silva – UMBI

Última atualização em Qui, 13 de Agosto de 2009 22:41
 

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