Psicologia
Como lidar com crianças hiperativas
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Quando li a coluna do profissional cristão no site da CIBI, percebi uma janela sendo aberta para esclarecimentos e possibilidades de troca de informações importantes. Acredito neste espaço e quero aproveitar para falar de um assunto que hoje tem sido observado principalmente nas escolas, mas que ainda, em muitos casos, não é tratado com o cuidado que deveria. O assunto a seguir foi o tema de meu trabalho de conclusão de curso de psicologia. O tema proposto é TDAH
– Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade – que atinge entre 3 a 5% de todas as crianças em idade escolar. E é um assunto que devemos conhecer, pois temos muitas crianças freqüentando a Escola Bíblica Dominical em nossas igrejas. Conhecendo um pouco sobre o TDAH, os pais, pastores e professores (as) da EBD poderão ficar atentos ao se depararem com aquela criança inquieta, que se remexe muito na cadeira, que não permanece sentada quando deveria, por correr ou subir excessivamente em coisas quando isto é inapropriado, por dificuldade em brincar ou ficar em silêncio em atividades de lazer, por freqüentemente parecer estar "a todo vapor" ou "cheio de gás" ou por falar em excesso. Se a criança apresentar esses sintomas de forma constante, por seis meses ou mais e aparecer em dois ou mais ambientes diferentes (escola, casa, igreja), tem possibilidade de ser definido como TDAH.
O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade – TDAH é um distúrbio neurobiológico que se caracteriza pela alteração da atenção, impulsividade e hiperatividade. Entre os sintomas que mais chamam a atenção, estão a dificuldade em manter a atenção ou focalizar numa tarefa por muito tempo, extrema agitação e agir com impulsividade, sem parar para pensar nas conseqüências de suas ações (Barkley – 2002).
As pesquisas revelam que o aparecimento dos sintomas do TDAH está ligado à genética. Embora se fale em grande incidência em crianças com mães que abusaram de fumo e álcool na gravidez, está claro que o fator mais importante é a hereditariedade. Se olharmos a família de uma pessoa com TDAH, vamos verificar que possivelmente existem outros membros com o mesmo problema.
O TDAH atinge todos os aspectos da vida de uma pessoa:
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Pessoal: sentimentos de frustração e baixa auto-estima em função das dificuldades encontradas para desempenhar corretamente as mais diversas atividades podem levar a problemas psicológicos e de comportamento;
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Escolar: dificuldades de aprendizagem, levando a baixo rendimento escolar, repetência e abandono dos estudos;
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Social: problemas de relacionamento devido às características próprias do quadro, como falta de atenção nas pequenas coisas que fazem parte de uma relação equilibrada; falta de "desconfiômetro" no trato com as pessoas, sempre falando muito ou interrompendo e se metendo; incapacidade de acompanhar a norma dos grupos; etc.
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Afetivo: uma extensão dos problemas acima, pelos mesmos motivos;
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Profissional: a falta de organização, a dificuldade em manter o nível de atenção e a persistência no trabalho, a inquietação e a freqüente busca de estímulos variados fazem com que a maioria dos adultos com TDAH não consigam alcançar boa posição profissional ou status compatível com sua educação familiar ou capacidade intelectual.
Por tratar-se de um distúrbio neurobiológico, o TDAH não desaparece com a idade. O que pode acontecer é uma modificação dos sintomas, dependendo da evolução da criança, tanto na parte física como psicológica, afetiva, pedagógica e social. Por exemplo, a hiperatividade, tão explícita na criança, aparece no adulto como forma de inquietação interna, um desejo constante de mudanças ou de estímulos cada vez maiores. O desejo de mudanças pode fazer com que mude freqüentemente de emprego, assim com a busca de estímulos fortes pode levá-lo à prática de esportes radicais. A pessoa com TDAH precisa aprender a conviver com o TDAH, fazendo as acomodações necessárias ao longo da vida. Por isso a grande importância de um diagnóstico correto precoce, que possibilite à criança ter um atendimento adequado o mais cedo possível.
A maneira mais eficiente de tratar o TDAH é adotando um procedimento multidisciplinar, isto é, coordenando um trabalho que envolva pais e profissionais das áreas médicas, saúde mental e pedagógica. Isso significa, em primeiro lugar, um conhecimento real quanto à natureza do TDAH, em desenvolver estratégias próprias na administração do comportamento na casa e na escola, em um programa pedagógico adequado, em terapia individual ou familiar, segundo o caso, e, se necessário, uso de medicamento.
Como o TDAH é um modo de funcionamento diferente do cérebro, algum dia os mistérios do TDAH e do cérebro serão descobertos. Quando essa hora chegar, talvez possamos conquistar uma importante compreensão de muitos comportamentos humanos, inclusive do TDAH.
Enquanto esta descoberta não chega, os portadores, pais, professores, cônjuges e familiares em geral, deverão trabalhar juntos e de modo responsável para definir, observar, avaliar e controlar os problemas gerados por causa do TDAH.
Este controle deve ser feito desde a infância, para que, assim, os efeitos negativos relacionados ao TDAH possam ser reduzidos. Como o TDAH tem grande impacto sobre a vida do indivíduo, tratar um adulto que acumulou inúmeros comprometimentos funcionais ao longo da vida, com todas as seqüelas interpessoais, profissionais, sociais e médicos, relacionadas a um transtorno crônico de início precoce, é algo muito diferente de tratar uma criança recém diagnosticada. Assim, quanto mais cedo o TDAH for indicado e tratado, melhores serão os resultados obtidos.
Por hora, o TDAH é um problema que deve ser controlado e que não tem cura. O controle eficaz requer informações e paciência; e é essencial que o portador e seus familiares desenvolvam uma compreensão dos problemas do TDAH.
Rita de Cássia Teixeira da Silva, é psicologa (CRP 05/37626) e membro da IBI Sião, no RJ

