Sexta 01 Ago 2014

Notícias da MOBI

Juventude evangélica e seus desafios

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Tive o privilégio de participar da Temporada de Treinamento Para Líderes de Jovens, que aconteceu em Belo Horizonte nos dias 19 a 29 de janeiro de 2009. O treinamento foi promovido pela Mocidade Para Cristo (MPC), uma missão internacional e interdenominacional que atua em mais de 90 países ao redor do mundo, com uma missão de levar o Evangelho de Jesus a todo jovem.

O principal objetivo do evento foi que ao sair do treinamento, cada jovem tivesse a convicção de que mais do que aulas, mais do que dicas, mais do que experiências compartilhadas com outros líderes, tivesse a convicção de que houve um encontro com o Deus Trino. Pensando bem, acredito que a melhor pessoa para falar de Cristo ao jovem não-crente é o jovem que teve um encontro com Deus, alguém que já conhece de perto a Jesus.

Numa das aulas, o Diretor Nacional da MPC, Marcelo Gualberto, ateve à juventude evangélica, na tentativa de fazer uma leitura crítica do seu momento, objetivando com isso desafiar cada líder, para uma tomada de posição frente à crítica situação atual. Refletindo sobre isso, durante e após a viagem, reaprendi algumas verdades básicas. Para facilitar a compreensão do leitor, reportarei o assunto em tópicos como segue:

Juventude religiosa, mas incrédula

As igrejas estão cheias de jovens que precisam se converter. Pessoas que ainda não entenderam que muito perto não é suficiente e que é necessário passar pela porta, ou seja, para quem está do lado de fora, tanto faz 5 cm ou 5.000 km, a condição é a mesma: perdição eterna. Muitos se acostumaram com o evangelho, Este estado de muito próximo das coisas de Deus é perigoso. As pessoas se enganam a si mesmas e aos outros vivendo uma vida religiosa (nem tanto) sem uma genuína conversão.

Juventude bem informada, mas imatura

Com o surgimento da Geração Gospel e do culto-show, não há mais espaço e nem interesse no estudo da Palavra e no crescimento espiritual. A galera inverte as coisas. O uso da arte, da música, do humor, etc; não substitui a mensagem do evangelho. Falta coerência entre informação e maturidade. Embora seja uma juventude bem informada, uma vez que o mundo está à distância de uma tecla, do ponto de vista espiritual, essa é uma geração imatura, que correm de um lado para outro ao sabor de qualquer novo vento de doutrina. E doutrina nova é o que não falta.

Juventude sarada e talentosa, mas cansada e indisponível

Embora esta seja uma geração saúde que adora corpos bem cuidados, malhados, bronzeados e elegantes, há um cansaço crônico entre a juventude atual. Talvez gerados pelos inúmeros compromissos (faculdade, aulas de inglês, espanhol, academia, etc., etc.) esse cansaço impede o jovem de doar seu tempo e talento para a obra de Deus. Poucos são os que se envolvem para valer, com determinação, se gastando na seara do Senhor.

Esse perfil é traçado pensando na maioria. O que você acaba de ler é fruto do que vejo, mas também ouvir de quem tem andado (em média 180 dias por ano) em congressos, acampamentos, retiros, cruzadas e conferências nos quatro cantos brasileiros.

Cinco meses depois, li na reportagem de capa da revista Época (Nº 578) dedicada à analise da religiosidade da juventude brasileira, que 95% dos jovens do Brasil declaram-se religiosos (referindo-se principalmente aos diversos ramos do cristianismo), ocupando o terceiro lugar em comparação com a juventude de outros países (Nigéria, 1º lugar; Guatemala, 2º).

Todavia, a mesma revista Época, afirma que os mesmos jovens brasileiros são os que apresentam a religiosidade mais inconsistente: apenas 35% vivem os preceitos da fé que professam – palavras do próprio jornalista: “o índice de coerência religiosa é, portanto, dos mais baixos”, página 70. Algo está errado! Mas não desanima! Há uma palavra animadora:

Diante do suposto, vão aqui os nossos principais desafios:

Primeiro desafio: conversão

Parece que a igreja evangélica se tornou um campo missionário. Precisamos pregar o simples e genuíno evangelho e convidar os jovens a tomarem uma decisão por Cristo. Em resposta a este comentário, Marcelo Gualberto, Sugere três passos práticos: mais tempo para a pregação da Palavra nos nossos eventos. A fé vem pelo ouvir e o ouvir a Palavra, realizar mais apelos evangelísticos, voltar à prática dos testemunhos evangelísticos: o que eu era sem Cristo, como eu me encontrei com Cristo, o que Cristo realizou na minha vida.

Segundo desafio: compromisso

A galera até quer Deus, mas não quer um compromisso com Ele. Estão todos os domingos na igreja, mas nada de comprometimento. Pensando nisso, podemos desenvolver atividades que levam os jovens a um compromisso com Deus. Isso é muito mais do que conhecer. Tem haver com o que fazer com o que se sabe. Estou dizendo que, não basta conhecermos, mas aplicarmos em nossas vidas o que sabemos sobre os princípios de Deus para nós. Não precisa de muita perfumaria, é só a gente voltar a memorizar versículos, praticar a hora devocional diária, desenvolver a leitura de bons livros, partilhar uns com os outros, e coisas do gênero.

Terceiro desafio: consagração

Faço coro com Marcelo Gualberto: “precisamos desafiar os jovens a colocarem seus dons e talentos a serviço do Rei”. Também posso dizer que foi numa dessas que me vi abrindo mão de tudo para a obra do Senhor. Não há nenhum protocolo. É só a gente escutar o que falamos e cantamos: “Ao Rei dos reis consagro tudo que sou. De gratos louvores transborda o meu coração. A minha vida eu entrego nas tuas mãos meu Senhor. Pra te exaltar com todo meu amor”.

Que Deus nos use como instrumentos de valor, despertando outros jovens enquanto é dia. A noite não tarda a vir. Daqui a pouco não haverá mais tempo.


Para ler outros artigos do autor, visite o blog do Eliseu