Aspectos da presença da Igreja em sociedades indígenas do Brasil
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- Categoria: Sec. Missões
Aproximadamente 364 mil brasileiros, organizados em 257 comunidades distintas, mas irmanadas por uma profunda relação de amor pela terra. No dia 19 de abril os índios celebram o direito de existirem como povo distinto, em convívio harmonioso com a natureza, os conhecimentos tradicionais e as crenças dos seus antepassados.
No cotidiano das populações indígenas sua organização social se dá em torno do sagrado, aliás, de maneira geral os ameríndios não diferenciam o sagrado do profano,para eles tudo é sagrado. Nas práticas rituais “a música é um dos principais elementos de comunicação com o mundo sobrenatural e nas letras estão sempre presentes os temas da luta pela Terra, da organização social Guarani”.2 Na luta pela conservação das tradições ancestrais e dos conhecimentos tradicionais, na busca pela livre determinação como mulheres e homens livres, para todos estes o dia 19 de abril tem um significado mais profundo, que para a maioria dos brasileiros que terão apenas mais um feriado prolongando.
Breve retrospecto das percepções acerca do indígena As sociedades indígenas são identificadas historicamente como atrasadas; o índio é visto como “‘selvagem’, ‘preguiçoso’, e até ‘sem alma’ foram rótulos que estigmatizaram os índios por séculos, alimentando preconceitos que vigoram até hoje”.3 Acerca dos milhões de indígenas mortos no processo da colonização do Brasil, um antropólogo afirma que “(...) vidas, histórias e culturas milenares, as quais têm sofrido a devassa dos conquistadores, a forte imposição socio-econômica e perdas sociais tremendas”, ele redefine os sujeitos conquistadores: “os conquistadores não são os outros.
Somos nós”.4
Em nosso país o grande interesse, com poucas exceções, está menos para a dignidade e humanidade do índio, e mais para os seus conhecimentos tradicionais
sobre o poder medicinal das plantas amazônicas e, ainda, pela cobiça de sociedades capitalistas pela riqueza da terra em que ele habita. Evangelho, educação e ação social entre os Kaingang. Ao resgatarmos uma experiência batista independente publicada no LT no final dos anos 50, observamos a inserção da Igreja entre os índios kaingang em Xanxerê/SC. Para ilustrar a perspectiva inicial desta inserção no contexto cultural indígena, cito parte do texto publicado em junho de 1960: “O trabalho aqui no sertão, se desdobra em três sentidos: evangelização, assistência social e educacional (...) o índio não tem mais que uma maloca e uma rocinha de milho. Ele precisa de remédio e roupa, e também das tuas constantes orações”.5 Em outra experiência com os índios Guaranis verificamos que eles “são muito atenciosos e sempre nos recebem com um sorriso”.6 A professora Alda Leles confirma que os índios kaingang “são amigos e como amigos jamais tenho sentido medo”.7 Infelizmente esta é a exceção nesta relação intercultural.
No texto intitulado Balas ou bênçãos, de fevereiro de 1960, verificamos a regra. Uma visão da brutalidade do “civilizado” em relação ao índio: “Minha opinião sobre os índios é só balas para eles!”.8 Esta mentalidade prevalece no meio daqueles que veem os ameríndios como um obstáculo para exploração da terra e suas riquezas. Diante do exposto, cabe a Igreja cumprir seu papel de agente de transformação social. Com voz profética, denunciar o abandono, a alienação, a exploração e o descaso das autoridades em relação ao índio e anunciar que relembramos na ocasião da páscoa cristã, o sacrifício que Cristo fez também por eles.
Uma Igreja comprometida na “causa do reino [deve] deixar-se envolver e amar o outro, o transcultural, o indígena, o local o urbano e o rural, aqui ou lá. Onde existir alguém esperando o amor incondicional de Jesus Cristo, ali devemos chegar, levando o evangelho da redenção, a confecionalidade, a comunhão, os milagres, a cura física e espiritual, a ética individual e social, a missão da igreja, o amor e a paz”.9
Notas:
1 Missão entre os índios: o índio precisa de ti. LT, Ano XXXIV, n° 5, Maio de 1959, p. 4.
2 Kema: informativo bimestral do Museu Antropológico Diretor Pestana – MADP: Ijuí, 2010, p. 2.
3 TERENA, Henrique. A cultura indígena e a necessidade do Evangelho. In: LIDÓRIO, Ronaldo (org.). Indígenas do Brasil. Viçosa: Ultimato, 2005, p. 32.
4 LIDÓRIO, Ronaldo (org.). Indígenas do Brasil. Viçosa: Ultimato, 2005, p. 8.
5 Missão Indígena: porta aberta entre os índios Caingangue. LT, Ano XXXV, n° 6, Santa Maria, Junho de 1960, p. 6.
6 Os índios são amigos, Ano XXXV, N° 2, Santa Maria, Fevereiro de 1961, p. 7.
7 Ibidem.
8 LASKOWKSI, Teodoro. Balas ou benções. LT, Ano XXXV, n° 2, Fevereiro de 1960, p. 7.
9 LIMA, Silas de. 500 anos em busca de dignidade, ética e cidadania nas relações interétnicas. In: LIDÓRIO, Ronaldo (org.), Op. Cit., p. 124.
Marciano Kappaun, Projeto Identidade e Memória - memó O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. - matéria reproduzida do LT 910, abril de 2010 - p.20
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Pr. Elton Melo
Presidente da Edtora Batista Independente e webmaster da CIBI Foi missionário em Pato Branco, PR e atualmente é missionáro da CIBI em Vitória, ES |
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Pr. Valdemi de Lima Pastor da Primeira Igreja Batista Independente de Uberlândia. Foi missionário na República Centro Africana. |
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A CIBI mantém através da Secretaria de Missões 12 missionários no exterior: Portugal (2); Peru (3); Japão (2); Espanha (2); Índia (1); Israel (2); Norte da África (1), sendo quatro projetos na chamada Janela 10 x 40, além de manter parceria com o Paraguai para projetos comuns. No Brasil a CIBI mantém apoio a 49 missionários, sendo que seis desses projetos são desenvolvidos entre indígenas.
Para a consecução de suas finalidades, a Secretaria de Missões obtém recursos financeiros através dos programas de adoção missionária; através de parcerias com as igrejas associadas ou outras organizações nacionais ou internacionais; através do PLANT (Plano de Adoção) que é um sistema de adoção particular e por igrejas; além das campanhas especiais realizadas a cada semestre nas igrejas (maio e setembro), onde todos os departamentos da igreja participam de forma ativa e criativa na captação de recursos para a obra missionária.










