O lado duro da liderança pastoral

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Se examinarmos cuidadosam ente a vida dos líderes da Bíblia, principalmente as dificuldades que tiveram e os obstáculos que enfrentaram ao longo do seu ministério, nós, pastores da atualidade, poderemos entender melhor muitos dos problemas pelos quais já passamos. E até prognosticar realisticamente os obstáculos que ainda poderão se manifestar.
 
Testes

A liderança pastoral tem um lado duro, que coloca à prova muitas virtudes da fé cristã, como a perseverança, a paciência, o domínio próprio, a cordialidade, a confiança no Senhor e o amor às pessoas. Esta constatação deveria também influenciar nas decisões que os aspirantes ao ministério precisam tomar quanto a manter ou não suas convicções quanto a se tornar pastores. Liderar a igreja de Cristo envolve a necessidade de superação constante de obstáculos, assim como a necessidade de suportar com longanimidade os constantes sofrimentos impostos nas mais variadas esferas dessa experiência. Esta realidade é inerente à grandiosidade da tarefa e à desesperada oposição do inimigo, já derrotado, mas temporariamente ativo e aplicado a infringir derrotas aos homens de Deus, chamados para pastorear Sua igreja  - que prevalecerá contra as portas do inferno. Para suportar esse lado duro, o pastor precisa desenvolver uma “pele grossa” que resiste às inúmeras fontes que podem ferir (até mortalmente) os mais sensíveis e melindrosos, que logo se perceberão inaptos para o ministério, tamanha a dor que sentem. Reflitamos em algumas experiências de líderes da Bíblia:
 
Ataques

Quando Paulo escreve aos Coríntios, notamos que se defende de críticas injustas que recebia ali. Em 1 Coríntios 9.1-2. se aplica a defender sua autoridade apostólica, não aceita por alguns crentes carnais daquela igreja. Em 2 Coríntios 10.8-11 se defende da acusação de ser duro por carta, mas frouxo pessoalmente. Críticas são como pedras lançadas contra o pastor, visando machucá-lo quando atiradas diretamente. ou visando machucar a sua imagem quando desferidas nas fofocas e maledicências das ovelhas menos maduras. Algumas críticas terão fundamento, outras não. Algumas serão feitas para ferir outras ferirão mesmo que esta não tenha sido a intenção de quem a fez. Precisamos aprender a lidar com elas. Algumas serão proveitosas e fomentarão crescimento, outras deverão ser tratadas como pecado. As medidas bíblicas contra elas deverão ser tomadas corajosamente, mas com o espírito de brandura típico dos maduros na fé (Gálatas 3.1). Já outras colocarão nosso ego à prova e desqualificarão rapidamente aqueles que não admitem, por orgulho próprio, que sejam atacados, contrariados ou mesmo rejeitados.
 
Reclamações

Igualmente tão desafiador quanto enfrentar críticas pessoais, quem desempenha a liderança pastoral também tem que tratar com as murmurações. Moisés experimentou essa dura realidade. Em Êxodo 15.24, 16.2, 17.3, Números 16.41 estão alguns relatos do povo murmurando contra Moisés e Arão. Em Números 21.5 vemos o povo murmurando contra o próprio Senhor, que os castiga com serpentes para que se arrependam de sua postura. O pastor sempre encontrará pessoas reclamando de alguma coisa, descontentes com alguma situação, preferindo que as coisas sejam diferentes do que são. A murmuração é uma manifestação de carnalidade, e muitas vezes vem de pessoas sobre as quais nutríamos uma expectativa de mais maturidade e tolerância. Isso causa em nós frustração e, eventualmente, dor por ter que tratar com elas.
 
Perseguições

E por mencionar manifestações de carnalidade, há de se lembrar que existem outras situações em que os mais carnais lançam comentários contundentes para machucar os pastores. Lamentavelmente, tem-se avolumado os casos de pastores injustamente perseguidos e até destituídos dos seus ministérios sem receber nenhum respaldo. Às vezes, porque (1) discordaram de algum membro ou líder influente, ou (2) ameaçaram a hegemonia ditatorial de alguma família que quer exercer primazia, ou porque (3) combateram alguma prática pecaminosa, fazendo com que alguns se sentissem ameaçados e vulneráveis.
 
Há muitos “Diótrefes” por aí perseguindo injustamente homens de Deus, tal como aquele de 3 João, que boicotava os missionários que vinham de longe para pregar o Evangelho, não lhes dando acolhida e proibindo o restante da igreja de os receberem. Ele “gostava de exercer a primazia” e não dividia sua posição de honra com ninguém.
 
Neemias foi caluniado, como vemos em Neemias 6.6. Pessoas queriam causar-lhe mal (Neemias 6.2). Até subornaram profetas para lhe falar mentiras em nome de Deus, para prejudicá-lo.(Neemias 6.10-14). Não é difícil entender que um pastor íntegro e comprometido com a Palavra de Deus torna-se facilmente uma ameaça em igrejas corrompidas pela carnalidade. Receber oposição covarde e agressiva nesse cenário não é um fato surpreendente. A Palavra de Deus nos avisa, em 2 Timóteo 3.12 que todos que quiserem viver piedosamente serão perseguidos. No caso dos pastores piedosos, às vezes a perseguição vem de dentro da sua própria igreja.
 
Vlademir Hernandes, bacharel em Análise de Sistemas Administrativos pela PUC, MBA em Gestão Empresarial pela FGV, Mestre em Ministérios pelo SBPV (Seminário Bíblico Palavra da Vida) e Doutorando em Ministérios pelo Reformed Theological Seminary e pelo Mackenzie; desenvolve ministério pastoral desde 2005 na Igreja Batista Cidade Universitária em Campinas SP. Encaminhado pelo Ministério Tudo Pelo Reino, ES O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. 20nov2009sex08h51m10s      

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